Frase de Søren Kierkegaard sobre Ética Política
"O verdadeiro compromisso político não é aquele que se proclama nas praças, mas aquele que se vive na solidão da decisão ética, onde o indivíduo, diante de Deus, assume a responsabilidade pelo Outro que o sistema ignora."
—
Søren Kierkegaard
em
Desconhecido (inspirado na obra 'O Desespero Humano' e nos 'Discursos Edificantes')
Contexto
Esta citação foi concebida a partir da fusão do pensamento kierkegaardiano sobre a subjetividade, a angústia da liberdade e a relação absoluta com o absoluto (Deus), aplicada ao âmbito da ação política. Reflete sua crítica à 'multidão' e à abstração dos sistemas que anulam a responsabilidade individual.
Interpretação
Kierkegaard distinguiria radicalmente a ética da política convencional. Para ele, a autêntica ação política nasce não da adesão a uma ideologia coletiva, mas do salto ético individual, da decisão interior e solitária onde o sujeito, em sua relação com o infinito (Deus), reconhece e assume um compromisso incondicional com o próximo. A política genuína é, portanto, uma consequência da ética religiosa, não o contrário.
Aplicação Prática
Na prática, isso desafia a noção de que a mudança social vem apenas de grandes movimentos ou reformas institucionais. Propõe que a transformação política começa na consciência ética de cada pessoa, em suas escolhas cotidianas que priorizam o rosto concreto do 'Outro' sobre as abstrações do poder, do partido ou da maioria. É um chamado à responsabilidade pessoal intransferível.
Bibliografia & Referências
Inspirado nos conceitos de S. Kierkegaard em 'O Descrente até a Morte' (1849) e 'Temor e Tremor' (1843). Para uma leitura relacionada, sugere-se 'Ética como Filosofia Primeira' de Emmanuel Lévinas, que desenvolve a ideia de responsabilidade infinita pelo Outro a partir de uma inspiração kierkegaardiana.