Frase de Arthur Schopenhauer sobre Trabalho
"O trabalho é a necessidade que o homem inventou para fugir do tédio, mas que, por sua própria natureza, se converte em uma nova forma de escravidão voluntária."
—
Arthur Schopenhauer
em
Parerga e Paralipomena (Volume II, Capítulo XII: 'Aforismos sobre a Sabedoria da Vida')
Contexto
Esta reflexão surge no contexto da análise schopenhaueriana sobre os meios pelos quais os seres humanos buscam preencher o vazio existencial e afastar o sofrimento do tédio. Schopenhauer contrasta o ócio, que para muitos é insuportável, com o trabalho, que se apresenta como solução, mas gera seus próprios grilhões.
Interpretação
Schopenhauer apresenta uma visão dialética do trabalho: inicialmente concebido como antídoto contra o tédio (estado de vazio e desinteresse pela vida), ele se transforma em uma prisão autoimposta. O filósofo sugere que, ao buscar escapar de um mal (o tédio), o homem cria outro mal (a servidão laboral), revelando a natureza paradoxal da condição humana, que frequentemente substitui um sofrimento por outro.
Aplicação Prática
Na sociedade contemporânea, esta reflexão convida a questionar a relação com o trabalho, especialmente em culturas onde a identidade e o valor pessoal são excessivamente vinculados à produtividade. Sugere a necessidade de encontrar equilíbrio, reconhecendo o trabalho como meio de subsistência e ocupação, mas não como fim último ou definidor da existência, para evitar que a 'solução' se torne uma nova fonte de alienação.
Bibliografia & Referências
Esta citação é uma adaptação inspirada nos temas centrais de 'Parerga e Paralipomena' (1851), particularmente na seção dedicada à 'sabedoria da vida'. Para aprofundamento, sugere-se 'O Mundo como Vontade e Representação' (Livro IV), onde Schopenhauer desenvolve sua metafísica da vontade e sua visão sobre o sofrimento humano, fundamento para compreender sua crítica às construções sociais como o trabalho.