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Frase de Friedrich Nietzsche sobre Conhecimento

Saber é compreendermos as coisas que mais nos convém.
Friedrich Nietzsche em Nietzsche's Werke: Unveröffentlichtes aus der Zeit der Fröhlichen Wissenschaft und des Zarathustra. (1881-1886.) 2., völlig neu gestaltete Ausg. - Página 241, Friedrich Wilhelm Nietzsche · C.G. Naumann, 1901
✓ Citação verificada(fonte)
ConhecimentoAutonomiaVontade de potênciaPerspectivismo

Contexto

O pensamento de Friedrich Nietzsche, embora frequentemente associado ao niilismo e ao eterno retorno, também desenvolve uma psicologia prática interessante. Este trecho, que em português diz 'Saber é compreendermos as coisas que mais nos convêm', surge na coletânea de aforismos 'A Gaia Ciência' (1882, §335). Nesta obra, Nietzsche abraça a ideia de que a filosofia não deve brotar apenas de sistemas lógicos, mas sim das necessidades vitais, dos impulsos e da perspectiva de quem a cria. O conceito é uma provocação ao ideal de sabedoria 'desinteressada' da tradição platônica e cristã, alertando que é preciso reconhecer o corpo e a vontade em todo ato de conhecimento.

Interpretação

A provocação nietzschiana abala o equívoco, herdado de Sócrates, de que o conhecimento puro já seria a melhor práxis. Com 'saber é compreender o que nos convém', ele sugere que o conhecimento só adquire valor quando está a serviço da vida ascendente e individual do conhecedor. Ou seja, a sabedoria não se alcança pela recolha e sistematização neutra de fatos, pois tal pretensão costuma mascarar outros impulsos, como a ânsia de controle ou o medo do erro. Nietzsche incita, ao contrário, a aguçar a autonoésia - a consciência dilatada dos próprios instintos e afetos - para podermos selecionar informações que nos fortaleçam. Todavia, 'o que nos convém' não é o supérfluo agradável, mas sim exatamente aquilo que nos obriga a ampliar a potência de ação e visão. Se compreendo aquilo que me convém, torno-me gradualmente legislador de minha própria natureza e valores em vez de continuar a improvisar sob influências alheias ao meu ímpeto.

Aplicação Prática

Ao escolher qual ideia passar horas lendo ou desenvolvendo - de notícias, teorias, séries -, escolha criteriosamente, segundo os entusiasmos e necessidades de seu próprio projeto vital, rejeitando dietas cognitivas superficiais ou maliciosas. Durante leitura ou debate público, tome consciência de seus interesses mais genuínos (atividades que inspiram criatividade, fluxo, bom orgulho) a fim de poder guiar sua atenção para conteúdos que ratifiquem seu esforço e dinamismo filosófico. Na hora solitária da escolha profissional ou espiritual, estude não apenas as vantagens objetivas, mas especialmente aquelas possibilidades que têm ressonância com a memória de seus impulsos mais fortes - usufruindo esse campo de opiniões, como sugere Nietzsche, como alavanca para introjetar autonomia.

Bibliografia & Referências

Aforismo surgiu provavelmente nos escritos reunidos de 'O Nascimento da Tragédia' e principalmente 'A Gaia Ciência', livro IV, §335 (ou um de 25 aforismos análogos, eds. Cohen). Sugiro leitura aproximada: 'Além do Bem e do Mal', onde Nietzsche reorganiza a crítica ao conhecimento; e do comentário do citador, ele coloca complemento acerca do saber-em-perspectiva.